Nos últimos tempos voltei a apreciar a vida que nos rodeia. A secura era tão grande que muitos bichos desapareceram da minha Caminhada. Dei muito pela falta dos meus amigos albi-negro-amarelo. Alguns, encontrei-os mortos. Tombados de costas, entre as ervas, como poderá acontecer com qualquer de nós. Houve umas pragas de bichos no início do ano, assim como as lagartas dos pinheiros, aquelas que correm em procissão e outros, mas o calor tórrido do meu amigo Apolo liquidou-as rapidamente ainda na Primavera e depois pelo Verão fora.

 

Mas, ultimamente, chegaram as chuvas do Outono e, com elas, muita vida. As ervas crescem, os gados matam a fome, as formigas saíram dos seus buracos e vieram apreciar as belezas deste planeta cheio de Arrelias; os riachos são varridos por águas diluvianas e são limpos, os bichinhos, alguns que cuido não serem deste tempo, também sentem o seu efeito.

 

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Uma maravilha da Natureza à procura de comer entre pardais e pintassilgos  

 

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Olhem esta beleza em um dos meus riachos

 

Os fetos nos troncos das árvores estão renascidos, as aranhas estão activas e os insectos mais suculentos, caem nas suas teias. Há arbustos que rebentam como se fosse primavera, como as silvas que em vários sítios estão com folhinhas a crescer. Julgo que isso não acontecia, mas não sei. Sei apenas que a vida tenta revelar-se com alguma pujança. Até o meu Quico está com sorte pois vou-lhe trazendo ervas viçosas.

 

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Deixa-me fugir, Ventor que os nossos terrores andam por aí!

 

Havendo ervas verdes, tudo se revigora. Os animais vão-se saciando na sua vida terrível de foge tu que aí vou eu. Este Universo é uma máquina trituradora onde cada um tenta sobreviver e nós não somos melhores que os outros animais.

 

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E não é que andavam! Um tecelão espreitava na minha vertical uma chance para almoçar

 

Como sabem isso não se passa exclusivamente no reino animal, mas até o próprio Universo se autodestrói numa voracidade terrível.

Vejamos se Apolo e Neptuno desavindos por coisas sem interesse (ou não?) nos deixam em paz e continuam o seu trabalho profícuo sem grandes exageros de um ou outro.

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem

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publicado por Ventor às 10:03