Todos sabemos, em traços gerais, o que reza o protocolo de Quioto e creio também que todos sabemos que ninguém irá cumprir assim-assim e muito menos, rigorosamente, o dito protocolo. Por muito que se tente, todos os países que acorreram a colocar o seu sinete no protocolo de Quioto, têm grandes problemas para poderem cumprir o estabelecido. A nossa civilização está tão desconchavada relativamente a estes assuntos tão graves que os políticos arranjaram maneira de caminhar nos pressupostos científicos de que tudo tem de mudar, e todos sabemos que vamos ter de mudar, mas como?

 

As palavras bonitas, as linhas bem escritas, não resolvem nada! Os políticos tentam passar sobre as linhas finas traçadas por cientistas politizados e políticos com vontade de se colarem aos sabedores dos sistemas da ciência. Criaram assim uma hidra de sete cabeças, pronta a vasculhar no vácuo já que nenhum ser vivo se quer aproximar dela.

 

As sociedades ocidentais, as mais avançadas cientificamente e mais poluidoras, acompanhadas aqui e ali por nichos sociais, em vias de desenvolvimento nos moldes das mesmas, estão em decadência, mas novos gigantes se preparam para consumir tantas energias poluidoras como elas já consomem. Vem aí a China e a Índia (e não só), para fazer, em termos globais, maior carrego sobre o que se pretende com o protocolo de Quioto.

 

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Estas flores são chicórias

 

As primeiras, começam a bater-lhes à porta, milhões de pessoas com cara de fome, devido ao desemprego e continua a ser necessário dar-lhe de comer e, para isso, vai ser necessário consumir mais energia, relançando novos objectivos pouco consentâneos com o Protocolo do nosso descontentamento. As segundas, com fome ou sem ela, mas fundamentalmente com muitos milhões que se acham no pleno direito de adquirir as mordomias ocidentais, embora o protocolo de Quioto seja mais brando com elas, vão ser a estucada final neste Planeta cheio de Arrelias.

 

Portugal, se bem me recordo, está autorizado a aumentar 27% a emissão de gases com efeito de estufa, relativamente a 1990. Mas, segundo conhecedores da nossa praça já vai com 14% acima dos objectivos autorizados. Um bom começo para um sinete, colocado em Fevereiro, no dito protocolo. As energias renováveis? Bem que, á primeira vista, serão uma das melhores hipótese para renovar também um jovem progresso, que permita à humanidade prosseguir em caminhos mais limpos e sem que lhes faltem as mordomias essenciais indispensáveis.

 

Quanto a mim, acredito plenamente que a grandiosidade deste mundo está no términos. Assim, sonhando, eu continuo a ver a falta de água prolongar-se no tempo, os calores insuportáveis a ajudar aos incêndios por esse mundo fora, cá dentro e lá fora, que alguns facínoras teimam em achar piada. Cada vez que rodo na estrada, rodam à minha frente atrasados mentais, alguns em grandes bombas que atiram as beatas pela janela, garrafas de plástico vazias sem água, guardanapos, copinhos de iogurtes, pacotes de cigarros vazios e sei lá que mais.

 

Uma vergonha o que se vê nas estradas das nossas terras e mais ainda por gente que, pelo menos, aparentemente, deveriam ter outras maneiras de viver e conviver em sociedade mas, infelizmente, é esta a sociedade em que nos inserimos. Qualquer recanto serve de caixote de lixo de pessoas sem escrúpulos.

 

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As aves ainda bailam para nos animar e se animarem

 

Será que o céu continuará azul? E vamos continuar assim! Se tiverem um pouco de atenção verificarão que os labregos estão em franco progresso. Há papás que gostam de ver os filhos inocentes a pontapear animais que estão habituados a conviver com crianças e, por isso, fáceis de apanhar. Gostam de os ver fazer asneiras de todo o tipo como deitar os lixos para o chão, estragar pequenas árvores plantadas, destruir flores e canteiros.

 

É nestas pequenas coisas que deve começar a luta por um melhor ambiente e essa só pode ser levada a cabo por todos os cidadãos, mas pelo que vejo hoje, nas escolas, grande número dos futuros homens e mulheres de amanhã só aprendem a via mais fácil para viver atropelando os outros. Eu vejo isso nas minhas caminhadas e nas minhas tentativas de encontrar ervas verdes para o meu Quico. À falta delas, semeei-lhe uma hortinha cá em casa, mas se falta a água para a rega? Se já não há água para regar o cebolo em pequenas hortas, imaginem como será quando não houver água para regar a minúscula horta do meu Quico!

 

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Água fonte de vida

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem

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publicado por Ventor às 09:26