No nosso planeta existem maravilhas que nem todos podem ou sabem apreciar. No dia que elas desaparecerem, o nosso planeta deixará de ser azul. Por isso, eu continuo a direccionar as minhas caminhadas para locais onde possa continuar a apreciar tudo, ou quase, do que apreciei nos meus tempos de criança.

 

 

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 Eu assobiei e ela apareceu! E disse logo: «só tu é que andarias num rio destes a assobiar, Ventor»! Foi na ribeira de Barcarena

 

Daí, eu procurar as cobras d'água, as toupeiras d'água (que nunca encontro), os melros d'água (que em cerca de 50 anos só vi um em Ponte da Barca), os guarda-rios (que ultimamente tenho encontrado) e muitos outros animais. Continuo à procura de rios limpos de matos e silvas, apesar de tudo ter melhorado um pouco. E, continuo à procura do milho-rei!

 

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Uma carricinha trouxe-me a libelinha, que resolveu ir à horta e a libelinha trouxe-me a cobra, embora esta me tivesse dito que veio ao assobio. «Ouvi assobiar e convenci-me que só podias ser o Ventor»

 

Lembrei-me de quando era pequeno, o meu irmão apanhar uma cobra d'água no rio de Adrão e trazê-la na mão para me pregar um susto. Eu ouvi a galhofa dele e de um dos seus companheiros de caminhada: "vais ver o gajo ficar todo borrado"! Quando me apercebi do que era, só disse: «anda cá com ela que faço dela um cavalo marinho e ficas todo listado. Foi a correr, todo borradinho, levar a cobra para o rio. Nesse tempo eu matava tudo que fosse cobra. Ele terá pensado: "o gajo dá cabo de mim e mata a cobra"! Hoje, comigo, todos os bichos se safam.

 

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Flor do marmeleiro a enfeitar a ribeira de Barcarena, olhando-a de cima para baixo

 

Mas, nas margens da ribeira de Barcarena, para além das cobras d'água, de libelinhas, dos tira-olhos, de patos-reais e outros, de galinhas d'água, e de muitos passarinhos, há também, muitas flores, entre outras, as de pessegueiro, de marmeleiro e muitas mais.

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem

publicado por Ventor às 18:31