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Planeta Azul

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Planeta Azul

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem


Águia de asa redonda, uma amiga do Ventor


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Planeta Azul - Na Rota do Lince Ibérico

A beleza do Lince Ibérico. Foto tirada da Wikipédia atribuída ao "Programa de Conservación Ex-Situ del Lince Ibérico

19
Out11

O Azul à Minha Volta ...

Ventor
... também começou por aqui! Em Adrão e arredores, fundamentalmente, no seu rio!
 

 

Caminhando por Arriba dos Moinhos, em Agosto de 2006 e sonhando com o passado

 

O guarda-rios, o meu parceiro de há 50 anos, que tal como as libelinhas azuis, fez parte das minhas caminhadas por entre os  salgueiros do rio de Adrão e às sombras dos carvalhos, já anda por aí! Em 3 de Março de 1961, eu abandonei o rio Adrão, os seus salgueiros, as libelinhas azuis, as sombras dos carvalhos, o cheiro das águas lodosas que escorregavam entre pedras musgosas, fetos e silvas. Deixei, também, de ouvir as músicas, do meu rio! As águas cantando por entre os carriços verdes, os pássaros cantando para mim e, nos poços do rio, as trutas captando, nas águas, o oxigénio, as minhocas e demais bichos e a sua saída das águas, ar fora, para captar insectos pousados nas folhas dos salgueiros, nos carriços e noutras ervas caídas sobre as águas.

 

 

Uma pequena amostra do rio de Adrão, que me faz sonhar com o passado, nos primeiros 15 anos da minha vida

 

Das musicalidades do meu rio, faziam parte, para além da demais passarada, o Sr. Guarda-Rios! Juntamente comigo, com o melro d'água, e o melro preto, além dos outros pássaros, lá andávamos nós, rio abaixo e rio acima, sob o tecto do nosso amigo Apolo, captando aqueles belos sons musicais, numa correria de sonhos, fazendo o Sr. Guarda-Rios parte das maiores belezas daquele mundo azul e verde, onde predominava também, aquele "must" de aromas fabulosos num mundo onde competiam, o cheiro do lodo e da evaporação da água que subia ar fora, juntamente com o láudano dos carvalhos naquele último verão de 1960. Nunca mais entrei em tão bela perfumaria! Apenas uma meia dúzia de vezes, com intervalos de anos.

 

 

This file é da autoria de JJ Harrison is licensed under the Creative Commons Attribution 3.0 Unportedlicense.

É uma bela foto de um belo guarda-rios como muitos que há por esse mundo fora, como havia antigamente no rio de Adrão

 

Desde então e, por 50 anos, a minha vida, caminhou sempre fora dos trilhos do Sr. Guarda-Rios!

Quando comecei a ter tempo para respirar, para procurar as belezas de outrora, verifiquei que isso jamais iria existir porque, se alguma vez esse mundo voltar a estar aberto às caminhadas do Ventor, o Ventor já não terá pedalada para voltar a usufruir dele. Quando em 28 de Agosto de 2006, numa bela manhã, saí de Arcos de Valdevez, com destino à Açoreira, fi-lo com a intensão de voltar a descer o meu rio e rever por pouco tempo que fosse, as velhas belezas de outros tempos. Cheguei a Arriba dos Moinhos e entrei no rio com a mente nesse belo pássaro azul, o meu amigo guarda-rios e a vontade de, mais uma vez, voltar a caminhar junto dele. Impossível!

 

 

Hoje os guarda-rios não conseguem voar, no rio de Adrão, na grande maioria do seu percurso

 

As silvas, os tojos e demais matagal, não me permitiu fazer aquilo que eu pensava vir a ser, a minha última caminhada no rio de Adrão. Perdi a esperança de voltar a ver o guarda-rios, mais uma vez que fosse, no meu rio. Nem eu podia caminhar naquele matagal, nem o Sr. Guarda-Rios pode lá voar. Ainda tive ali, num quarto de hora, uma amostra do "must" dos aromas de outros tempos que não haverá, certamente, nas melhores perfumarias de Paris, Londres, Nova Yorque, ...

 

 

O primeiro guarda-rios que vi fora do rio de Adrão, foi aqui, na ribeira da Falagueira, no Parque Aventura

 

Em 2010, vi aqui, à porta de minha casa, um guarda-rios, azulinho, lindo como ele é. Pensei que fosse um belo pássaro de gaiola fugido por qualquer razão, porque só vi aquela setinha azul passar sob os meus olhos e por entre os salgueiros. Este ano de 2011, no jardim de Miraflores, atravessado por uma ribeira, voltei a ver o mesmo tipo de pássaro de cima para baixo, todo azulinho. Mais tarde, há pouco tempo, voltei a ver, no mesmo local aquela setinha azul a passar debaixo dos meus olhos. Naquele pássaro, eu voltei a ver a alma do guarda-rios. Parou longe, debaixo de uma ponte, numa sombra quase escuro. Mesmo assim apontei a máquina e disparei freneticamente contra o escuro. Eu sabia que ele estava lá mas, a máquina disse-me tratar-se de missão impossível. Nem uma amostra de pássaro ficou. Mas, fiquei sempre a pensar na hipótese de um guarda-rios. Tantos anos a caminhar nas margens destas ribeiras e nunca tinha visto nenhum, julguei ser impossível.

 

 

Neste local, na ribeira de Miraflores, que atravessa o jardim de Miraflores, vi dois guarda-rios, em dias distintos ou o mesmo guarda-rios, por duas vezes

 

Mas as ribeiras têm sido limpas e quase parece que já levam água a sério. É o que acontece por aí. Comecei a ver peixe nas águas e isso começou a ser bom sinal. Depois, veio, mais uma vez, Queluz e o rio Jamor que passa por ali, quase silencioso, durante o verão, onde as águas cantam aqui e ali. Quando passava na estrada sobre o rio, apontei a máquina a um papa-moscas e sai debaixo do meu nariz a setinha minha amiga que pousou longe, à sombra e lhe consegui tirar duas fotos cheias de granulado. Mas certifiquei-me que o Martim Pescador ou Guarda-rios, ali estava pousado à minha frente. Mas fiquei contente! Agora, fiquei com a certeza que os guarda-rios voltaram. Voltaram as águas limpas, ou quase, voltaram os peixes, voltaram as galinhas d'água, voltaram os guarda-rios e voltou mais um entretimento para o Ventor. A beleza das ribeiras saloias, voltou a incorporar vida, até o meu amigo guarda-rios! Vida que eu procurarei explorar nas minhas caminhadas.

 

 

Este vídeo, tirado do Youtube, mostra-nos que os guarda-rios comuns ou alcedo atthis existem nas Filipinas e praticamente por todo o mundo

 

Não sei se eles conseguirão ficar por aqui! As ervas e os matos cobrem a água e não será pêra doce para os guarda-rios caminharem e sobreviverem apenas em porções de rio. Não me parecem adequados à sua sobrevivência as ribeiras saloias e o trajecto do rio Jamor. O que acontece é que os guarda-rios, tal como os cisnes, são expulsos pelos pais para fora do ambiente familiar, após conseguirem alimentar-se por si. Expulsos do seu território pelos pais, eles, tal como os humanos, vão ter de partir para longe à procura da sobrevivência e, sobreviver, para eles, é encontrar peixe em sítios adequados. Por isso, acredito que não será fácil encontrar por aqui guarda-rios, a não ser, quando expulsos e ainda rapazolas, caminharem por aí à procura do seu ambiente ideal. Mas fico com a esperança de voltar a ver por aqui, um ou outro cavaleiro solitário, a que chamamos guarda-rios.

 

 

 

Aqui foi o local que eu confirmei tratar-se de um guarda-rios, a setezinha azul que passou, mais uma vez, sob os meus olhos

 

Aqui, no chamado Vale do Tejo, e nas ribeiras que o vão alimentando, há guarda-rios e, quando os mais novos são expulsos pelos pais para fora do seu território, eles acabarão por procurar uma qualidade de vida adequada à sua existência e, julgo eu, será nesse entretanto, que os rapazolas guarda-rios, dando início às suas novas caminhadas, na sua tentativa de se realizarem como entes responsáveis e independentes, vão tropeçando no Ventor!

Eu quero ser eterno companheiro do Ventor na nossa Grande Caminhada

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