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Planeta Azul

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Planeta Azul

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem


Águia de asa redonda, uma amiga do Ventor


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Planeta Azul - Na Rota do Lince Ibérico

A beleza do Lince Ibérico. Foto tirada da Wikipédia atribuída ao "Programa de Conservación Ex-Situ del Lince Ibérico

23
Jul11

Gaios, amigos do Ventor

Ventor

Como digo por aí algures, estamos no mês de S. Bento - o mês de Julho!

Os meses de Julho, são, também, ou têm sido, meses das minhas mais belas caminhadas. Caminho por florestas e bosques, por espaços abertos e, sempre vou encontrando muitos dos meus amigos. Este mês de Julho não tem sido assim mas, nem por isso deixa de ser bom.

 

Hoje, acordei e, como não vou ter com os meus amigos, vêm eles ter comigo. Saí, dirigi-me ao Miradouro do Quico, para dizer ao meu amigo Gil que veio passar férias comigo que, dali, pode ir observando tudo o que se passa, como o Quico fazia e ele já fez também.

 

Pelo canto do olho, apercebi-me que uma ave voou da relva para o choupo do meio mas, nem consegui ver o colorido, na sombra da manhã e julguei ser o meu amigo Tobias como faz muitas vezes. Nos ramos dos frondosos choupos, saltitavam duas aves e continuei a pensar ser o Tobias. Chamei o Tobias e, ele, julgava eu, observava-me pelo meio das folhas. Mas não, lá consegui ver que não eram pretos como os Tobias e, de repente, o azul das asas, chamou-me a atenção.

 

 

Um dos três filhotes que os meus amigos trouxeram para me mostrar

 

"Olá amigos, andam por aqui nestas frondosas árvores que vos escondem tão bem"? - perguntei eu aos gaios!

«Olá, Ventor! Ficaste embaralhando! Viemos cá mostrar-te os nossos filhotes, mas passou aquele gajo e eles fugiram até ao rio»! Fui buscar a máquina e, ao chegar, ainda fui apontando a máquina mas era impossível apanhá-los no meio daquela ramalhada escurecida do lado de cá e, do lado de lá, a luz brilhante do meu amigo Apolo. Tenta daqui, tenta dali, passa mais um gajo e lá se foram eles em direcção do rio.

 

Apareceu, de facto, o meu amigo Tobias, o melro, que ficou admirado por eles se terem ido embora tão rápido e disse-me que ia ter com eles ao rio.

De repente, com o jardim sem gajos, nem gajas, voltam os gaios aos choupos!

«Ventor, trouxe os meus filhotes, para tu conheceres, agora que não há ninguém»! E, de facto, havia grande rodopio sobre os choupos. Eu apontava a máquina mas, nada! Os choupos não davam espaços para treinos de fotogenia. Por entre as folhas, lá ia vendo um rabo, um olho a espreitar-me, uma nuca de gaio e eu, enviava a minha máquina à procura, mas nada. Era sombra e contraluz e a máquina apanhava-me toutiços escuros. Por fim lá tiveram de partir, acossados por gente que passava e, do meio dos choupos veio o que eu temia o «adeus Ventor»!

 

 

O meu amigo de Lamas de Mouro

 

Os gaios são umas belezas, pelo menos para o Ventor e são úteis para a humanidade.

Eles plantam grandes espaços das nossas florestas e dos nossos bosques. Pelo menos, de árvores que dão os frutos que eles gostam. Sobreiros, carvalhos e outros. Estimam os especialistas que cada gaio dispersará cerca de 1.000 bolotas, em média, por ano.

Eles escolhem sempre as melhores bolotas para comer e para enterrar no chão com o bico, tapando-as com a terra do buraco para comerem no inverno e, muitas vezes, não dão com elas ou desapareceram caçados pelas aves de rapina ou se foram de morte natural e elas lá ficaram para rebentarem e darem outras árvores.

Mas eles também as enterram em fendas de rochas onde possam chegar e em buracos de árvores, tendo sempre uma dispensa apetrechada nos seus locais de residência que podem conter quilos de bolotas. Como todos os corvídeos, trata-se de uma ave inteligente.

 

 

O meu amigo de Lamas de Mouro está a observar o que o Ventor faz com aquela coisa preta nas mãos

 

O gaio é uma ave de médio porte, com um cumprimento de cerca de 35 cm e com pesos de 140 a 190 gramas e uma longevidade de cerca de 18 anos. Na Primavera, os gaios chegam aos países frios do Norte da Europa, como a Noruega mas, no Outono eles regressam aos países mais temperados do sul. A sua zona de residência vai da Europa Ocidental por todo o Continente asiático e também pelo Noroeste africano.

 

Dizem também os especialistas que os gaios utilizam vários sons, especialmente quando são atacados por aves de rapina e esses sons, são utilizados conforme as mensagens que pretendem enviar aos seus companheiros que, captando o som, ficam logo avisados do inimigo que vão encontrar pela frente, porque eles vão à luta em grupo. Formam um grupo de defesa e contra-atacam esse inimigo que, várias vezes, tem de fugir. Eu já assisti a lutas deste género, no Parque Florestal de Monsanto e na Matinha de Queluz. Em Monsanto fui eu que vali ao gaio! Quando os outros chegaram, já seria tarde. É por isso que eu acredito, porque os vi chegar.

Eu quero ser eterno companheiro do Ventor na nossa Grande Caminhada

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