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Planeta Azul

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Mantenhamos o Planeta Azul e limpo. Não sejamos egoístas, pensem no futuro dos que vão chegando

Planeta Azul

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem


Águia de asa redonda, uma amiga do Ventor


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Planeta Azul - Na Rota do Lince Ibérico

A beleza do Lince Ibérico. Foto tirada da Wikipédia atribuída ao "Programa de Conservación Ex-Situ del Lince Ibérico

17
Mar12

Inverno de 2012

Ventor

Foi um inverno cheio de sol. Sol e, por vezes, com muito frio. O frio foi tanto que o meu amigo Apolo me dizia para utilizar os instrumentos disponíveis, como alternativa à sua falta de eficácia.

 

Todos os dias, de manhã, ele me batia nas vidraças e nos cortinados, sorrindo.

«Espreita o horizonte Ventor», dizia-me ele, de vez em quando. Olha hoje passeio-me com um robe salomónico como tu gostas»!

Eu afastava o cortinado e espreitava. No horizonte, para além do ninho da "pega" e lá via o meu amigo a desembaraçar-se daquele excesso de tecido, cores de fogo, de laranja, de vermelho e, lá vinha ele!

 

 

Papoilas vermelhas, belas flores das minhas caminhadas que, este inverno não me abandonaram

 

«Hoje, Ventor, as musas e as ninfas esmeraram-se na sua eterna sabedoria de que eu as incuti mas, gastaram muito tecido. Também elas julgam que o tempo das vacas gordas nunca acaba»!

Ai também? Tens de por cobro a isso! Eu gosto de te ver todo embaraçado no meio desse colorido mas, de facto, estamos em tempos de austeridade.

«Austeridade e trabalho, Ventor!

Tenho tido muito trabalho com o Nibiru de que falam os nossos amigos mesopotâmicos. Se me distraio, esfarrapa-me os robes todos»!

 

«É atrevido como sempre e é comandado por Marduk. Tenho de fazer tudo para o afastar de junto de nós. Tenho de velar pelo meu sistema, afastando-o para o mais longe possível. Tal como tu, tenho muita estima por esse Planeta Azul».

 

«Mas tu, Ventor, devias estar todo encantado! Acabaste o ano com flores, iniciaste este ano com flores, muitas flores no Lugar do Sol. Nem as papoilas te deixaram Ventor! Tens visto as papoilas»?

 

 

Papoilas vermelhas de outro local. Estas começaram a dar nas vistas desde meados de Fevereiro. Encostadas ao muro, dali sempre cumprimentaram o Ventor

 

Tenho, Apolo! Tenho visto as papoilas quase todos os dias e, estou impressionado como elas resistiram ao frio e à seca! Todos os dias ou quase, as vejo penduradas sobre a ribeira, resistentes a tudo, até ao xi-xi dos cães e dos gatos. Há papoilas do ano passado que resistiram quase enfezadas e, agora, depois das chuvadas, estão lindas e cheias de força e há muitas papoilas nascidas este ano que já me saudaram também e me fizeram recordar o teu robe. Ainda não vi as branquinhas!

 

Foi com os seus gritos "honremos Apolo e Ventor" que me apercebi que já coloriram este belo Planeta Azul, por aqui, papoilas vermelhas, amarelas rosas e lilases. Faltam-me as branquinhas mas não tardará muito e elas caminharão a meu lado.

 

 

Uma carriça! Uma das minhas belezas, quase microscópica, que ontem se fartou de cantar para o Ventor. Como é um penudinho que raramente vejo, tal como eu, ela estaria com saudades e com vontade de me demonstrar que é pequenina mas que aprendeu a cantar à sombra dos bosques e entre as flores. Ontem, essa carricinha foi o meu encanto durante muito tempo. Ela, no chão, nos arbustos, nas árvores, encantandora, ela e o seu som e, no alto, a águia pairando, projectando a sua sombra sobre mim e a carriça. Mas ontem, a cariça foi a mais forte a prender a atenção do Vetor

 

«Porque as musas e as ninfas, Ventor, não quiseram meter o branco da papoila e disseram-me que a Primavera iria ter a honra, este ano, de te aparecer com papoilas brancas na sua grinalda».

 

E assim tem sido o meu inverno de 2012. Com flores, muitas flores! Flores de ameixieira, flores de abrunheiros, flores das malvas, papoilas e tantas outras. Todas embrulhadas nesta cápsula azul - o Planeta Azul.

 

 

Também tive a companhia deste primo do meu amigo Tobias, que fez tudo para animar a minha caminhada e até me pareceu que ficou cheio de ciúmes por eu perder tanto tempo com aquela coisinha minúscula a que todos chamamos carriça

 

Nibiru, o Planeta X - o Marduk, anda muito perto de nós. Vamos ter de esperar que ele se afaste sem fazer estragos. Ficarei à espera que, só ou com todas as ajudas, o meu amigo Apolo adquira força de repulsão, quanto baste, para o afastar para bem longe, por mais 3.500 a 3.600 anos.

Entretanto, eu espero continuar a viver dentro desta cápsula azul, onde as papoilas, este ano, nunca me abandonaram.

 

Eu quero ser eterno companheiro do Ventor na nossa Grande Caminhada

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