Vejo tantas nascentes, tantos charquinhos que poderiam ser teus aposentos.

Vejo as águas sair das entranhas da terra, à sombra das urzes, dos fetos, dos tojos, das silvas. Quando tenho essa oportunidade, reparo nos fundos escuros, terrosos, negros mas, além de alguns bichinhos que, terão sido teus companheiros de caminhada, nada mais!

 

Apolo projecta a sua luz sobre mim  e quando olho o espelho do charco, encontro apenas a imagem de uma cara cansada com o olhar a penetrar aquela pequena profundidade que podia ser o teu mundo. Mas, no seu interior, não aparece a cor amarela e negra da tua existência.

 

 

Uma salamandra, como as das minhas Montanhas Lindas, tirada da Wikipédia

 

Tu salamandra, eras aquela que partilhava comigo as tuas águas frescas à medida que caminhávamos nos estios quentes.

 

Houve sempre quem pensava que podias resistir ao fogo, mas isso só da mente tortuosa que parte do cérebro humano. Quando o fogo se aproxima tu pressentes o perigo e refugiaste na frescura dos teus charcos.

 

 

Um tritão, tirado da Wikipédia

 

Que saudades eu tenho das belas cores, amarela e negra, com que me saudavas quando ia beber aos teus charcos! Eu bebia da tua água e tu guardavas a minha imagem nos teus olhos negros.

O meu pai dizia-me para não te tocar porque segregavas umas toxinas corrosivas, na tua pele, mas eu sempre te olhei como uma bela companheira das minhas caminhadas, sem receio das tuas toxinas porque nós nos compreendíamos sempre, e utilizávamos aquela máxima popular de: "cada macaco no seu galho".

 

Que é feito de ti salamandra?

Eu sou um guarda-rios comum (alcedo atthis) e azul, tal como o Ventor gosta. Caminharei por aqui, neste Planeta Azul e, na companhia do Ventor, se nos deixarem

publicado por Ventor às 21:51